Conexao Tabaco
PrincipalNotíciasCharutosCachimbosEventosOnde FumarEstiloVideosContato

Cachimbos

Anatomia de um cachimbo - Parte Final


Por Alfredo Maia - 21/05/2014

Piteira
Não importa quanto talento tenha sido usado para esculpir o melhor briar disponível se a piteira não tiver qualidade equivalente. Peça final do aspecto e balanço do cachimbo, as piteiras são encontradas em diversos formatos dentro dos seus dois tipos básicos:

       o a piteira afilada, característica dos cachimbos "billiard";
       o a piteira em sela, característica dos cachimbos "lovat";

A piteira afilada é aquela cuja espessura diminui do encaixe do cabo (A5) até a boquilha (B3), ao passo que a piteira em sela diminui abruptamente logo após o encaixe e a partir daí continua com espessura constante até a boquilha. Existem aquelas que são afiladas de um lado e em sela do outro e outras em que a diminuição da espessura se dá em pontos distintos do comprimento da piteira, ou seja depende da imaginação do fabricante.

 


 
Alguns fumantes consideram que a piteira em sela e de pequeno comprimento é um tipo exclusivo dos cachimbos "lovat" e como tal devem ser denominadas, ao passo que as piteiras em sela de maior comprimento seriam chamadas genericamente de piteiras de formato em sela. Eu prefiro simplificar um pouco e chamar as duas de piteiras em sela, sendo uma curta e outra mais longa.

Se examinarmos uma piteira, veremos que o encaixe no cabo do cachimbo é feito por meio de uma espiga cilíndrica (B1) com lados bem paralelos para uma perfeita adaptação ao encaixe da piteira no cabo (A5). O ajuste da espiga com o cabo deve ser suficientemente preciso para evitar vazamentos, mas não tão apertado que cause dificuldade para desmontar o cachimbo para limpeza.

Algumas piteiras têm a espiga cônica, que se ajusta a um encaixe também c&ocric;nico no cabo, o que facilita a colocação e a retirada e evita quebra na espiga ou no encaixe em caso de quedas, pois se isso acontecer, a tendência das duas peças é se separarem devido a conicidade. Este tipo de ajuste é chamado de "army mount" em inglês e "floc" em francês.

Diz que o termo em inglês deriva do fato de que esse encaixe foi inventado para os cachimbos enviados aos soldados que não podiam se preocupar muito com o manuseio do cachimbo.

Outro tipo de encaixe, encontrado em cachimbos mais baratos, é o encaixe rosqueado, onde um adaptador com uma rosca "macho" é colocado na piteira e um adaptador com rosca "fêmea" é colocado no cabo. Nossa experiência com esse tipo de encaixe indica que o mesmo é propenso a vazamento, principalmente de líquidos que se condensam no metal mais frio do encaixe. Alguns fabricantes aproveitam esse encaixe metálico para colocar condensadores, o que só piora a situação, por aumentar a condensação no local. Outros colocam filtros, o que não melhora em nada a situação.

O duto de ar da piteira (B2) segue em um diâmetro constante desde a espiga até alguns milímetros antes da boquilha, onde termina, alargando-se a partir daí até o rasgo externo da boquilha, formando uma pequena câmara de expansão que resfria um pouco a fumaça no seu estágio final. Alguns poucos fabricantes, entretanto, levam o duto cilíndrico até o fim da boquilha, principalmente nas piteiras feitas de acrílico. A boquilha em si tem o formato de um degrau que ajuda na "mordida" para a sustentação do cachimbo.

A variação mais interessante neste arranjo foi introduzida pela fábrica de cachimbos Peterson, da Irlanda, que projetou uma boquilha em que a saída do duto de ar é direcionada para cima, levando a fumaça para o céu da boca e não diretamente para a língua. O sistema patenteado por eles, foi batizado com o nome de "P-lip".

Além desse formato há outros em que a parte final da piteira se alarga, produzindo uma boquilha no formato que chamam de "rabo de peixe" (fish-tail). Também há piteiras com o duto de ar duplo, o que segundo dizem dá uma fumada mais fria, e outras projetadas especialmente para fumantes que usem dentaduras. Estas últimas são raras e eu pessoalmente nunca vi uma piteira assim.


 

Alfredo MaiaAlfredo Maia é engenheiro químico e começou a fumar cachimbo por volta de 1968 por mera curiosidade. Por volta de 1995, começou a se interessar pela história do tabaco e do cachimbo e terminou por escrever o livro "Tabacos e Cachimbos", lançado em dezembro de 2008. É moderador da CAC - Confraria dos Amigos do Cachimbo.

 

 

 

Anatomia de um cachimbo - Parte II


Por Alfredo Maia - 14/05/2014

Cabo
Atrevo-me a dizer que o cabo do cachimbo tem uma importância fundamental na qualidade da fumada, mas isso não é sempre reconhecido e muitas vezes negligenciado.

Sendo um prolongamento da cabeça, o cabo faz parte da definição do formato do cachimbo, podendo ser reto ou curvo, ou melhor dizendo, angulado para formar os cachimbos curvos. Pode ser curto ou longo (como nos cachimbos Canadian), sendo que muitos os preferem assim longos por minimizar o tamanho da piteira, contribuindo com as boas qualidades do briar para melhor aproveitamento do aroma e sabor do tabaco, por absorver calor e umidade.

 


 
O duto de ar (A4) deve ser bem centralizado no cabo e estar em perfeito alinhamento com o duto de ar da piteira e o furo de saída bem nivelado com o fundo do fornilho, conforme a figura acima. Um cabo com o furo de saída do duto de ar, mais alto que o fundo do fornilho é péssimo, pois o tabaco abaixo do furo não queimará e essa parte inferior do fornilho não terá a crosta de carbono, o que poderá ocasionar tensões desiguais na parede do fornilho e trincá-la.

 


 
Alguns cachimbos, ao contrário, tem o duto de ar do cabo bem nivelado mas muito baixo, com o furo de saída bem no centro do fundo do fornilho, o que pode causar entupimentos e dificuldade na limpeza pois o escovilhão dificilmente passará pelo furo fazendo uma curva.

Na extremidade do cabo, do lado da piteira, há uma expansão do duto do cabo a que chamamos de encaixe da piteira (A5). Dependendo de como esse encaixe é feito, o mesmo pode formar uma câmara de condensação entre o fim do duto do cabo e o inicio da piteira (se a espiga (B1) for mais curta que o espaço do encaixe) ou então se a espiga for mais longa, haverá uma folga entre o cabo e a piteira. No caos de se formar essa câmara de condensação, a mesma permitirá uma expansão da mistura úmida de ar e fumaça, com o consequente resfriamento da mistura (o que é bom) e condensação da umidade que tende a ser succionada pela piteira (o que é péssimo).

Alguns fabricantes deixam essa câmara de condensação mas no menor tamanho que permita o resfriamento da fumaça, sem acúmulo de umidade. O encaixe da espiga além disso é a parte mais frágil do cabo devido ao afinamento da parede. Para evitar surpresas desagradáveis, muitos fabricantes reforçam essa parte com um anel metálico (de prata e mesmo ouro) que além do reforço conferem um toque de classe ao cachimbo.

Há diferentes formatos da seção do cabo que não interferem no seu desempenho, sendo apenas um aspecto estético. Sob esse aspecto os cabos podem ter seção circular, quadrada, oval, hexagonal, em forma de losango ou qualquer outro formato que o talento do artesão possa imaginar.

Um assunto que vem sendo objeto de discussão entre os fumantes de cachimbo é o que se refere ao fluxo de ar através do cabo com um mínimo de velocidade e de depressão na piteira.

Os que defendem essas condições, consideradas ideais por eles, sugerem que o duto de ar, desde o fornilho até a boquilha da piteira, deve ter um mínimo de 4mm ou uma área seccional equivalente. Imaginar um duto de ar do cabo com esse diâmetro ou 12,6mm quadrados de área, é uma coisa, mas imaginar uma boquilha da piteira (B3) com essa medida é muito diferente, pois a boquilha teria que ter uma abertura de no mínimo 2mm de altura o que a tornaria muito grossa.

Este assunto é tão controverso que alguns artesãos de renome recusam pedidos de cachimbos com essas especificações. Tampouco as fábricas de cachimbo produzem peças com essas medidas. Uma das razões alegadas é que tanto as paredes do cabo quanto as paredes da piteira (principalmente desta) ficariam tão finas que poderiam quebrar ou furar com uma mordida um pouco mais forte, além da espessura da boquilha que seria muito desconfortável.

Continua no dia 22 de maio (Piteira).

 

Anatomia de um cachimbo - Parte I


Por Alfredo Maia - 08/05/2014

No último artigo sobre a qualidade dos cachimbos, afirmamos que qualquer cachimbo bem feito é bom para se fumar, independentemente de marca ou artesão que o tenha feito. É evidente que a marca ou o artesão têm uma influência enorme no preço final do produto, mas a facilidade para se fumar pode não ser diferente daquela de outros cachimbos menos "estrelados", mas bem construídos e em boa madeira.

O texto a seguir foi extraído de meu livro "Tabacos e Cachimbos" e mostra as partes que compõe os cachimbos e a relação entre elas.

 


 
Os cachimbos são compostos de um corpo (A) e de uma piteira (B). O corpo é a parte do cachimbo que é esculpida e na qual se encaixa a piteira, podendo ser dividido (mas não separado) em duas partes: a cabeça (A1) e o cabo (A2). A cabeça é onde é furado o fornilho (A3) e que dá nome ao formato do cachimbo, ao passo que o cabo é a extensão da cabeça do cachimbo por onde passa o duto de ar do cabo (A4) que é a parte que leva a fumaça do fornilho até a boquilha da piteira.

Fornilho

A furação do fornilho é uma das etapas críticas e delicadas do processo. Em primeiro lugar o tamanho do furo (ou do fornilho, se preferirem), tanto no que diz respeito ao seu diâmetro quanto ao que diz respeito à sua profundidade, tem que estar completamente adequado ao tamanho do bloco de madeira que está sendo usado sob pena de ter as paredes do fornilho (A6) muito finas (frágeis e esquentando em demasia) ou muito espessas (não esquentando, mas esteticamente inapropriadas).

Quanto mais grossas puderem ser as paredes do fornilho, melhor será, mas o limite é ditado pelo aspecto e pelo peso do cachimbo. A maioria dos cachimbos possui o fornilho com um diâmetro que varia de 1,7 cm até 2,7 cm e uma profundidade de 3 a 6 cm. Obviamente existem cachimbos com medidas menores e outros com medidas maiores, mas não são comuns.

As paredes do fornilho podem ter de 2 a 5 mm de espessura, mas qualquer que seja esta, a parte interna deve ser lisa, sem sinais de broca ou fresa, o que poderia causar problemas durante a combustão, além de influir na formação da crosta de carbono ( C ) que deve ser formada durante o amaciamento do cachimbo, como veremos mais adiante.

Normalmente as paredes do fornilho são paralelas desde a borda até o inicio da curvatura do fundo, embora alguns apresentem uma pequena conicidade, a partir de um ponto um pouco antes do inicio dessa curvatura. Isso é um detalhe construtivo que tem seus defensores, os quais alegam que essa conicidade ajuda na combustão do tabaco até o fim, além de facilitar a limpeza.

No que todos concordam entretanto é que o fundo do fornilho tem que ser arredondado sem ângulos agudos entre o fundo e a as paredes, para evitar o acúmulo de resíduos e para facilitar a limpeza.

Continua no dia 14 de maio (Cabo).

 

O melhor cachimbo do mundo


Por Alfredo Maia - 13/02/2014

É impossível colocar juntos dois fumantes de cachimbos, sem que surja a pergunta: Qual o melhor cachimbo?

O número de respostas depende um pouco de quantas marcas cada um deles conheça. E se você aumentar o número de fumantes, o número de cachimbos incluídos nas respostas sobe proporcionalmente; isso porque essa resposta depende muito do gosto individual e está muito ligada a fatores subjetivos que atribuem aos cachimbos propriedades que na realidade são percebidas individualmente pelos fumantes. Vamos falar apenas dos cachimbos de "briar".

 


 
Em alguns grupos de discussão sobre cachimbos é muito fácil encontrar pessoas que atribuem a cachimbos de marcas mais renomadas (Dunhill, Castello, Porsche, Jess Chonowitsch e outros) propriedades de realce de sabor dos tabacos que não se encontram em marcas mais populares como Savinelli e Stanwell. Por mais que me queiram fazer acreditar nisso, acho que é bobagem.

Um cachimbo de "briar" bem processado e bem construído (vamos falar disso num próximo artigo) não altera o sabor dos tabacos. Às vezes, devido ao "briar" de que é feito, um cachimbo pode fumar mais seco e um pouco mais frio que outro, mas é quase um acidente de percurso.

Eu costumo brincar, quando me fazem essa pergunta, que o melhor cachimbo é aquele pelo qual você pode pagar sem deixar sua conta bancária no vermelho. Tenho cachimbos nacionais e importados e posso dizer que com poucas exceções (para pior) todos fumam praticamente igual.

Tenho um importado que vaza pelo encaixe da piteira e outro que acumula muita água no fundo da câmara de condensação, mas estes são problemas de material e de construção.

Nas fotos deste artigo há um cachimbo nacional de R$ 120,00 e um importado de R$ 1.700,00 (preço em tabacarias de S.Paulo). A não ser pelo renome de uma marca e da outra, para mim são ambos espetaculares.

 

Cachimbos Corn Cob


Por Alfredo Maia - 15/10/2013

Alguns dias atrás estávamos discutindo em uma roda de cachimbeiros sobre os cachimbos "Corn Cob" ou cachimbos feitos de sabugo de milho. Eu costumo dizer que o cachimbo feito de sabugo de milho é uma impossibilidade técnica que deu certo, pois existem poucas coisas mais propensas a pegar fogo do que sabugo de milho seco.

Esse cachimbo surgiu em 1869 quando um fazendeiro do Missouri nos Estados Unidos (e que provavelmente plantava milho) entalhou a faca um cachimbo usando uma espiga de milho seco. Ele gostou tanto do cachimbo que pediu a um marceneiro chamado Henry Tibbe que torneasse alguns para ele, pois os cachimbos acabavam logo.

 


 
O marceneiro produziu vários cachimbos e colocou alguns à venda em sua loja. O sucesso de vendas animou o Sr. Tibbe a continuar no negócio e a aperfeiçoá-lo. Com a ajuda de um amigo farmacêutico, desenvolveu uma mistura de gesso para aplicar no exterior do fornilho para melhorar a aparência e a durabilidade.

O novo cachimbo recoberto de gesso tinha uma certa semelhança com os cachimbos brancos de meerschaum, que eram os mais apreciados naquela época, além de ser leve e poroso como aqueles, o que o levou a ser chamado de "Missouri Meerschaum". Em 1907 a empresa do Sr. Tibbe adotou esse nome oficialmente e passou a se chamar "The Missouri Meerschaum Company".

Durante a Primeira Guerra Mundial, milhões desses cachimbos forma produzidos e enviados pelo governo norte-americano para os soldados que lutavam na Europa. O mesmo foi feito durante a Segunda Guerra Mundial e a figura mais emblemática e conhecida dessa época é foi o General Douglas MacArthur, com seu enorme "Corn Cob" no modelo que ficou conhecido com o seu nome.

A produção diária da fábrica da "The Missouri Meerschaum Company" é de 5.000 unidades, utilizando uma força de trabalho de 50 empregados.

O milho usado na produção dos cachimbos era o milho comum, até que em 1946 foi desenvolvida uma espécie de milho que gera um sabugo maior e mais forte, portanto quem quiser tentar fazer um cachimbo desses, vai precisar experimentar até achar o material adequado.

Os cachimbos "Corn Cob" são considerados descartáveis nos Estados Unidos devido ao seu baixíssimo preço (menos que 10 dólares americanos) e a sua curta vida útil, que normalmente não é mais que três ou quatro meses, embora aqui no Brasil eu conheça algumas pessoas que os tem há muito mais tempo que isso.

Devido a sua porosidade, sua fumada é razoavelmente seca e o cachimbo não precisa ser deixado descansar entre uma fumada e outra. Não é necessário e nem recomendável a formação de crosta no interior do fornilho de um "corn cob", por isso é suficiente limpar o interior do fornilho com um pano seco logo após a fumada, com o intuito de se remover restos de tabaco e carbono aderentes à parede do fornilho.

Com um pouco de cuidado, como já disse, esses cachimbos podem durar um bom tempo, mesmo se forem fumados com uma certa frequência, mas definitivamente não são cachimbos para se ter a vida toda, como um cachimbo de briar ou meerschaum.

 

Para os principiantes


Por Alfredo Maia - 14/09/2013

Eu estava procurando em alguns livros e na internet, curiosidades sobre cachimbos para contar aqui quando me deparei com um artigo escrito por alguém que se assina Scott Patrick Sailors. Achei o artigo tão interessante que resolvi traduzir alguns trechos e comentá-los aqui. O artigo se intitula "O Aprendiz de Fumante de Cachimbo" e tem início assim:

"Para começar, meu filho, você não fuma um cachimbo - você o aproveita e se perde nele - você o sorve e saboreia - como você faria com uma taça de um vinho muito fino, ou o primeiro beijo suave da mulher de seus sonhos". Bonito não? É bem assim mesmo que se deve fumar cachimbo, com calma e aproveitando cada minuto.

 


 
A partir daí o artigo fica um pouco mais prático sem, no entanto, perder a poesia e diz: "A medida que você se concentra neste aprendizado, nunca deve ser sua meta manter o cachimbo aceso a todo custo. Não, você deve permitir que a frágil chama se apague". Isto é muito comum em principiantes que procuram se espelhar em fumantes mais experientes que vivem apregoando quanto tempo são capazes de ficar fumando sem acender o cachimbo.

Isso só é importante se você tiver apenas dois ou três palitos de fósforos; se tiver mais acenda quantas vezes for necessário. Faz parte do ritual de fumar cachimbo. Com o passar do tempo vai-se adquirindo experiência e você começa a perceber que a necessidade de acender o cachimbo a toda hora vai se espaçando e que algumas vezes você o faz apenas pelo gosto de avivar a brasa (que o autor do artigo chama de "pequeno coração pulsante").

Enquanto escrevo estas poucas linhas já acendi o cachimbo pelo menos umas três vezes, mesmo sem ele ter se apagado completamente.

A seguir um conselho muito importante, seguido por poucos: "Se o seu cachimbo alguma vez ficar mais quente do que apenas moderadamente quente, você deve estar pronto para deixá-lo de lado para que esfrie e se revigore". Além de melhorar o prazer de fumar, este conselho ajuda a preservar a integridade de seu cachimbo.

Ligado a esse aquecimento do cachimbo há um outro conselho para os principiantes: "Você não deve começar a dar baforadas como uma máquina a vapor e depois gradualmente aprender a ir mais devagar. Baforar como uma máquina a vapor produzirá toda espécie de calamidades irritantes que resultarão na interrupção de toda alegria e felicidade".

Existem outras colocações muito bonitas como esta: "Sua aspiração não é transformar o tabaco em chamas e fumaça e cinzas. Não, você está usando a cuidadosa aplicação da chama para liberar os sabores do tabaco - para gentilmente liberar as delícias escondidas nas sombras escuras das folhas do tabaco..."

 

Fósforos ou isqueiros?


Por Alfredo Maia - 07/08/2013

Por volta de 1750 quando a imensa maioria dos cachimbos era de argila, fazia parte do "equipamento" dos fumantes uma pinça para pegar brasas e colocar sobre o tabaco no fornilho para acendê-lo, já que não havia fósforos ou isqueiros. Outro modo era o uso de uma vela ou um pedaço de madeira aceso. Não era nem questão de saber o que era melhor, mas como e com que acender.

Hoje em dia a discussão volta-se para a melhor maneira de se acender os cachimbos: uso de fósforos, isqueiros ou maçarico?

 


 
Os fumantes mais tradicionalistas defendem de maneira intransigente o uso de fósforos como a única maneira aceitável para se acender um cachimbo. Embora não seja a maneira mais fácil para isso, o uso de palitos longos ajuda bastante.

O único cuidado a ser tomado é o de deixar o palito acender bem antes de colocá-lo sobre o tabaco para se evitar o odor de enxofre resultante da combustão do palito. O número de usuários de fósforos parece não ser muito grande hoje em dia, embora o uso dos mesmo acrescente um certo toque de classe ao ato de acender o cachimbo.

Quanto aos isqueiros, a sua praticidade parece ter ganho um grande número de adeptos, ficando as diferenças por conta de que tipo de isqueiro usar; de fluido ou a gás?

Entre os isqueiros de fluido, um dos mais tradicionais é o da marca Zippo. O maior cuidado que se deve tomar no uso de isqueiros de fluido é o de escolher um fluido que não deixe sabor no tabaco.

Entre os isqueiros a gás, a oferta é enorme, variando desde os tradicionais modelos BIC, até modelos folhados a ouro e os de chama dirigida. Normalmente o gás butano usado nesses isqueiros não tem aroma ou sabor que interfira na fumada.

Quanto aos maçaricos, embora possam ser classificados como isqueiros, devo dizer que devem ser usados por sua conta e risco devido a alta temperatura da chama. No meu entender, além da possibilidade de queimar a borda do fornilho, por um descuido do fumante, os mesmos carbonizam a superfície do tabaco, o que pode alterar o sabor inicial da fumada, embora de maneira quase imperceptível.

De qualquer maneira, a escolha de como acender o seu cachimbo é uma decisão muito pessoal e faz parte do conjunto da arte de fumar cachimbo.

 

Amaciamento do Cachimbo


Por Alfredo Maia - 11/06/2013

Uma das coisas mais comentadas entre fumantes de cachimbo, principalmente entre os iniciantes, é o chamado amaciamento do cachimbo. Esse termo refere-se na verdade ao processo usado para a criação de uma crosta de carbono nas paredes internas do fornilho. Como é um assunto muito comentado, é grande a criação de mitos sobre o mesmo, os quais se confundem com a realidade.

Em primeiro lugar deve ser dito que a criação dessa crosta é um processo natural inerente ao fato de se encher o fornilho com tabaco e acendê-lo. A não ser que você raspe as paredes internas do fornilho após cada vez que fuma, essa crosta vai se formar, você queira ou não. A criação dessa crosta ajuda na preservação e proteção das paredes, além de contribuir para que a absorção de produtos da combustão pelas paredes do fornilho seja diminuída, contribuindo para evitar o aparecimento de sabores indesejáveis.

 


 
Alguns fabricantes de cachimbo fornecem seu produto com o fornilho submetido a um processo chamado de pré-carbonização, que consiste em "queimar" de forma controlada o interior do fornilho de modo a formar uma camada de carbono (ou madeira queimada se preferirem) para facilitar o processo, já que isso não exclue um amaciamento bem feito.

NUNCA, mas nunca mesmo, molhe as paredes com qualquer líquido com o intuito de acelerar o processo ou melhorar o sabor inicial. Você corre o risco de rachar as paredes devido a dilatação do líquido absorvido. Alguns fumantes umedecem as paredes com um pouco de mel, mas é uma camada bem fina. Eles juram que isso facilita o amaciamento, além de torná-lo mais saboroso.

Além disso, há a discussão sobre os métodos de enchimento para se conseguir o amaciamento de maneira rápida e segura. O método mais difundido é o chamado método dos terços, que consiste em encher o fornilho com um terço de sua capacidade durante as primeiras quatro ou cinco fumadas, depois com dois terços durante as próximas quatro ou cinco e finalmente encher completamente e fumar normalmente.

Fumantes mais experientes costumam encher o fornilho completamente desde a primeira vez e fumar bem devagar, com algumas paradas para resfriamento, evitando o aquecimento do cachimbo e repetindo esse ritual por algumas vezes até se sentirem satisfeitos com o resultado.

Vale lembrar que o aparecimento das crosta é um processo lento e pode levar algumas dezenas de fumadas antes que se perceba o seu aparecimento real. A espessura da crosta nunca deve passar de cerca de 2 mm, sob pena de se rachar a parede do cachimbo devido a dilatação da camada de carbono, mas isto só ocorrerá depois de muitas fumadas.

O processo inverso é quando após algumas centenas de fumadas a crosta formada é tão espessa (bem maior que os 2 mm referidos) a ponto de interferir na capacidade do fornilho. Ai então é necessário raspar esse excesso, sem no entanto chegar de volta a madeira.

Na foto acima vemos alguns cachimbos já bastante usados e em pelo menos dois deles um excesso da crosta de carbono.

 

Misturas Pessoais


Por Alfredo Maia - 12/05/2013

Acredito que um grande número dos meus amigos sabe da minha opinião sobre a preparação de misturas caseiras ou misturas pessoais de tabacos: não perco tempo com isso. Com o grande número de misturas existentes no mercado, sempre haverá uma nova para ser provada, feita por alguém muito mais gabaritado que eu nesse assunto e com muito mais experiência e conhecimento.

Apesar disso vou tentar alinhavar alguns conselhos para aqueles que insistem em preparar misturas pessoais, procurando encontrar a SUA mistura. Esses conselhos são baseados na minha experiência sobre o assunto (É claro que eu já preparei misturas; ou como vocês acham que eu cheguei à conclusão que não vale a pena?).

 


 
O decálogo que se segue não foi gravado a ferro e fogo e reflete apenas a minha experiência e provavelmente a de outros fumantes de cachimbo.

1. Definir o que se espera conseguir em termos de força, aroma, sabor e umidade. Com isso pode-se escolher o tipo dos tabacos a serem usados e os aromatizantes, se for o caso.

2. Conseguir uma balança com precisão de 1 grama ou no máximo 5 gramas.

3. Preparar misturas pequenas de no máximo 20 gramas. Dá para provar a mistura umas 4 vezes e se você não gostar, não vai jogar fora 2 ou 3 kg de tabacos. Se você gostar da mistura resultante, aí sim, pode preparar uma quantidade maior.

4. Não adianta misturar tabacos de gostos similares, como por exemplo duas MIs. Não se obterá nada melhor que cada uma delas e muito provavelmente a mistura será até pior. Vale também se formos misturar dois aromatizados de baunilha e rum, por exemplo.

5. Não misturar DOIS tabacos que você ache ruins, esperando melhorá-los. Você vai terminar com UM tabaco ruim.

6. Começar misturando dois ou três tipos de tabaco apenas. É mais fácil avaliar o resultado. Se misturar 5 ou 6 tipos você nunca saberá qual a contribuição de cada um.

7. Não usar tabacos de cortes muito diferentes. Eles tendem a se separar e não dar misturas homogêneas, principalmente se um deles for um corte granulado.

8. Para misturar os tabacos coloque-os, um de cada vez, sobre uma folha de papel e misture muito bem. Comece com os tabacos de corte mais grosso e vá acrescentando os outros. Deixe descansar por uns 30 minutos e misture novamente.

9. Se for usar aromatizantes o melhor seria borrifar o aromatizante sobre a mistura, revolver bem para assegurar que toda a mistura tenha aromatizante e deixar descansar. Lembre-se de que os tabacos iniciais já contem aromatizantes (principalmente aqui no Brasil).

10. Guardar a mistura pronta em um frasco bem vedado e deixar "descansando" pelo menos uma semana. Isto serve para "casar" os diferentes tabacos e aromatizantes. Se você fumar logo depois de misturar não será a mesma coisa.

É importante que você prove tantas misturas quanto possível antes de começar a preparação de misturas pessoais. Serve para apurar o seu gosto e selecionar as de que você realmente gosta.

Obviamente o que importa é o prazer que se consegue ao fumar um cachimbo, e se fumar a SUA mistura lhe dá maior prazer, vá em frente.

 

Charutos x Cachimbos


Por Alfredo Maia - 01/05/2013

Durante a última semana de fevereiro participei em Havana, Cuba, do "XV Festival Del Habano". É uma feira comercial onde são lançadas as últimas novidades de charutos e acessórios; é também uma enorme confraternização entre os fumantes dos "puros" cubanos. Fuma-se praticamente o dia todo (e a noite também) e em todos os lugares. Em vista disso, uma das perguntas que ouvi com muita frequência era sobre a diferença entre fumar cachimbo e fumar charuto, já que durante essa semana o cachimbo ficou praticamente esquecido.

No meu ponto de vista, fumar cachimbo ou fumar charuto são variações de um mesmo prazer. Existem muitas semelhanças entre esses dois hábitos, sendo que a maior delas é a tranquilidade necessária e a tranquilidade obtida desse ato. Ninguém fuma cachimbo ou charuto às pressas; você precisa de um certo tempo para preparar, cortar e acender o charuto como também precisa desse tempo para preparar, encher e acender o cachimbo.

 


 
Fumar então, é o exercício da tranquilidade pois ninguém fuma cachimbo ou charuto apressadamente, pois só tem cinco minutos para isso. Pode-se realizar outras tarefas enquanto se fuma, mas nada que impeça ou venha a apressar o ato de fumar. Se houver companhia de outros fumantes melhor ainda, pois em ambos os casos a tranquilidade é aumentada pela conversa descontraída e pela troca de ideias.

Alguém apressadamente pode dizer: Ah, mas cachimbo e charutos são muito diferentes. E eu respondo de pronto: Não, não são tão diferentes quando se leva em consideração o que se está fumando.

Em primeiro lugar é necessário levar em conta o tempo disponível, para se escolher um charuto ou cachimbo de tamanho adequado. Você pode escolher entre um charuto pequeno como um Petit Julietas (30 x 100mm), um pouco maior como o Partagás Aristocratas (40 x 129mm) ou, se tiver ainda mais tempo para fumar pode escolher um H. Upmann Magnum 50 (50 x 161mm). No caso dos cachimbos você escolheria um cachimbo com o fornilho pequeno, médio ou grande.

Também no tocante ao sabor do tabaco escolhido há muitas semelhanças. Embora para se perceber a diferença de sabor entre um charuto e outro exija uma grande sensibilidade, no caso dos cachimbos, devido a aromatização dos tabacos essa diferença é mais perceptível.

No meu entender essa maior diversidade de sabores disponíveis para cachimbo é a única diferença relevante entre fumar cachimbo e fumar charuto. Ainda assim, se quisermos alternar entre um e outro o fumante de cachimbo tem ao seu dispor os tabacos Virgínia maturados que se aproximam muito do sabor de um charuto por não terem nenhuma aromatização e serem processados por meios semelhantes.

 

Tabacos: puros e misturas - Parte II


Por Alfredo Maia - 09/04/2013

Cavendish

No último artigo falamos sobre os tabacos Virgínia, que normalmente são os únicos que podem ser consumidos por si só. Mas um dos tipos sobre os quais falamos anteriormente também pode ser consumido como um tabaco único. São os Cavendish.

Embora muitos argumentem que os Cavendish podem ser feitos com uma mistura de tabacos, ainda assim são considerados como um tabaco único e assim podem também ser consumidos.

Anteriormente já falamos bastante sobre ele e se há alguma coisa a acrescentar é que esse seria o tabaco que eu indicaria se me fosse perguntado qual o melhor tabaco para um principiante; é saboroso, aromático, não é forte e é fácil de ser usado.

Misturas

A grande maioria dos tabacos consumidos no mundo é a das misturas, ou seja, dois ou mais tabacos misturados que resultam num tabaco que sem perder as características dos originais oferece outras, ausentes naqueles.

As misturas podem ser divididas em duas classes; as misturas aromatizadas e as misturas não aromatizadas. Entre estas as mais comuns são as misturas "regionais" por serem frequentemente conhecidas como originárias de um determinado país ou região.

Entre estas temos as misturas inglesas, misturas balcânicas, escocesas, dinamarquesas, americanas e holandesas. Com exceção das misturas inglesas e balcânicas que tem um sabor bem característico, as outras já são mais "globalizadas" e não tem um sabor tão característico e exclusivo.

As misturas aromatizadas são feitas com o uso de dois ou mais tabacos (algumas chegam a mais de uma dezena de tabacos, segundo os fabricantes), originários das mais diversas regiões produtoras, e a essa mistura são adicionados produtos aromatizantes e de sabor.

A adição pode ser feitas por imersão ou por aspersão dos aromatizantes. Esses processos de aromatização são conhecidos pelos seu nomes ingleses de "casing" no primeiro caso e "top dressing" no segundo caso. Alguns tabacos são submetidos aos dois processos com sabores complementares como baunilha e café, por exemplo. Vale lembrar que os produtos usados na aromatização de tabacos são os mesmos usados na indústria alimentícia para dar aroma e sabor a tortas e sorvetes.

 


 
Mistura Inglesa

As misturas inglesas são constituídas por tabacos Virgínia (de mais de uma procedência), Burley, tabacos orientais diversos, Latakia e Perique. São caracterizadas por conterem um mínimo de umectantes e aromatizantes por força de regulamentos locais. Possuem um aroma e um sabor bastante forte, pricipalmente por conta do Latakia e do Perique.

 


 
Mistura Balcânica

As misturas balcânicas tem uma base semelhante as misturas inglesas mas os tabacos orientais das regiões dos Balcãs (Smirna, Djebel, por ex.) são o que dão a tônica nestas misuras, além é claro da ausência do Perique e em muitos casos do Latakia. As misturas balcânicas possuem também um aroma bem marcado e um sabor um tanto amadeirado.

 

Tabacos: puros e misturas - Parte I


Por Alfredo Maia - 05/02/2013

Nos artigos anteriores, falamos dos tipos de tabacos que normalmente são usados para cachimbo, e quem não está muito acostumado com isso, fica com a impressão que se juntarmos tudo vai resultar em uma salada mixta daquelas. Acontece que como na cozinha alimentícia, existem certas regras para a mistura de tabacos que devem ser seguidas para se obter o melhor resultado e nada muito exótico. Essas regras quando aplicadas resultam em tipos de tabacos bem definidos sobre os quais vamos falar um pouco.

Virgínias

Os tabacos deste tipo são muitas vezes chamados de Virgínias Maturados por serem deixados fermentando durante muito tempo antes de serem terminados. São normalmente apresentados sob a forma de flakes ou de flakes desmanchados, muito raramente cortados e compostos principalmente do tabaco Virigínias ou quando muito "temperados" com tabacos Perique (quando então passam a ser chamados de VAPER ou seja uma mistura de VA e Perique) ou um pouco de Burley para melhorar a queima.

 


 
Os tabacos VA's são complexos e delicados. Se forem fumados sem cuidado pode parecer que estamos fumando ar quente com um pouco de pimenta, mas com cuidado ao fumar podem apresentar uma vasta gama de sabores, geralmente doces, levemente ácidos e frutados. Os tabacos Virgínia são mais propensos que qualquer outro tabaco a causar "picadas na língua" que é uma sensação muito desagradável. Fumar bem devagar acentua o sabor do final da fumada e reduz a chance de "picar a língua".

Os tabacos Virgínia são indicados normalmente pela sua cor, sendo as mais comuns a cor limão, o dourado e o vermelho. O teor de açúcar do tabaco (e os VA's são os que mais tem açúcar) estão relacionados com a cor do tabaco. Quanto mais longo for o tempo de cura ele escurece mais e diminui seu teor de açúcar.

Os tabacos Virgínia podem ser submetidos a um processo de "tostagem" em forno, que escurece o tabaco, escurecendo-o e geralmente diminuindo sua propensão a "picar a língua".

Algumas marcas de tabacos Virgínia

VA's puros
   - Light Flake, Dunhill
   - Kingsbridge, Esoterica Tobacciana
   - Peacehaven, Esoterica Tobacciana
   - Virginia #1, Mac Baren
   - Blackwoods Flake, McClelland
   - Bulk No. 2010 Classic Virginia, McClelland
   - Bulk No. 2035 Dark Navy Flake, McClelland
   - Christmas Cheer, McClelland
   - Virginia No. 22, McClelland
   - Virginia No. 27, McClelland
   - Marlin Flake, Rattray
   - Best Brown Flake, Samuel Gawith
   - Full Virginia Flake, Samuel Gawith
   - Grousemoor, Samuel Gawith

VA's "temperados"
   - Escudo Navy Deluxe, A&C Petersen (VA/Perique)
   - Three Nuns, Bell's (VA/Perique)
   - Elizabethan Mixture, Dunhill (VA/Perique)
   - Tilbury, Esoterica Tobacciana (VA/burley)
   - Haddo's Delight, GL Pease (VA/Perique)
   - Bulk No. 2015 Virginia Flake, McClelland (VA/Perique)
   - Deep Hollow, McClelland (VA/vanilla topping)
   - St. James Woods, McClelland (VA/Perique)
   - Club Blend, Mac Baren (VA/cavendish)
   - Dark Twist, Mac Baren (VA/cavendish)
   - Roll Cake, Mac Baren (VA/cavendish/Perique)

 

Tipos de tabaco - Parte VII


Por Alfredo Maia - 19/12/2012

Maryland

O tabaco Maryland de folha larga (Maryland Broadleaf) é plantado apenas no estado americano que lhe dá o nome e é considerado muito semelhante ao Burley por suas características químicas, por sua capacidade de absorção de aromatizantes e também pelo seu processo de cura ao ar.

As folhas deste tipo de tabaco são muito finas e sua combustibilidade é muito boa, o que se percebe pelo seu teor de cinzas, apenas um pouco menor que o do Burley. Seu teor de nicotina é menor que o do Burley e até que do Virgínia, e seu teor de açúcar é praticamente nulo, da mesma maneira que o Burley.

 


 
O uso principal dos tabacos Maryland é na produção de cigarros, mas devido ao conjunto de suas características mencionadas acima, além de aroma e sabor bastante neutros, é também adequado como complemento de misturas de tabacos para cachimbo.

Embora seja uma exclusividade do estado de Maryland, pequenas quantidades são colhidas anualmente na Itália, África do Sul e na Ilha de Madagascar.

 

Tipos de tabaco - Parte VI


Por Alfredo Maia - 12/12/2012

Cavendish

Existe em princípio, entre fumantes e amantes do cachimbo, uma terna desavença no que tange aos fumos Cavendish.

Um dos grupos defende acirradamente que os fumos Cavendish são derivados de uma certa mistura de tabacos, e o outro se contrapõe afirmando que esse nome se deriva de um tratamento especial dado ao fumo por ocasião da secagem e cura, e mais especificamente pelo seu corte. Bem... os dois tem razão.

 


 
O Cavendish é um fumo especial, de origem holandesa, que sempre foi cortado de forma particular. Algumas marcas de fumo usam com frequência esta combinação e a cortam do modo Cavendish, para diferenciá-la de outras marcas.

O processamento do Cavendish é elaborado, lento, e requer muito conhecimento dos métodos empregados. Um "feeling" do mestre curador sempre é desejável. A cura tem início logo na chegada do fumo e é feita com vapor, o que afrouxa as estruturas das folhas, abrindo os est&ocric;matos e deixando-as preparadas para serem aromatizadas. Uma vez agregados os aromas, a mistura é colocada em formas e fortemente prensada, formando tortas.

Deixadas em repouso por um longo tempo, elas voltam a fermentar, o que dá o sabor e suavidade que sempre se espera de um Cavendish. Terminado o período de repouso, as tortas são cortadas pelo método Cavendish, que dá origem a um fumo em fios longos, que ardem com facilidade e frescor, oferecendo um fumar muito especial.

Os países mais conhecidos como produtores de Cavendish são os Estados Unidos, a Inglaterra, a Holanda e a Dinamarca.

A última parte desta matéria será postada na próxima quarta-feira, dia 19/12/2012.

 

Tipos de tabaco - Parte V


Por Alfredo Maia - 04/12/2012

Latakia

Os tabacos Latakia, fortemente aromático, é atualmente muito cultivado no Oriente Médio. É empregado sempre como um fumo de adição, temperando outras misturas. Seu sabor e corpo são acentuados. Uma das características de sua participação nas misturas é produzir um efeito de mistério. Um fumo bastante procurado, fazendo parte de um grande número das misturas mais fumadas hoje em dia.

O Latakia pode ser considerado o tabaco dos extremos: ou você gosta ou você não gosta; não há como ser indiferente ou fazer de conta que sua presença em uma mistura pode passar desapercebida. Dizem alguns que fumar Latakia é um gosto adquirido, pois não é possível gostar do mesmo sem ter aprendido.

O nome do tabaco vem da cidade Síria de Al-Ladhiqiyab, situada às margens do Mar Mediterrâneo em frente a parte nordeste da Ilha de Chipre, sendo um dos principais portos da região.

 


 
O Latakia tem origem na Nicotiana Pérsica, a menor das plantas do gênero Nicotiana, mas deve ser deixado bem claro que nenhuma folha natural de tabaco pode ser chamada de Latakia; esse nome só é adquirido após um longo processo de cura e defumação, cuja origem se perde no tempo e por isso é sujeita a ser contada como lenda e ser personagem de muitas histórias.

O processo de defumação para a produção do Latakia parece ter sido descoberto por acaso, quando alguns produtores de tabaco penduraram as folhas excedentes de uma colheita no teto de suas casas, onde ficaram expostas ao calor e à fumaça das fogueiras usadas para aquecimento do ambiente. Dependendo das ervas usadas como combustível das fogueiras, o sabor peculiar do Latakia era obtido com mais ou menos intensidade.

A parte folclórica e gaiata dessa lenda conta que parte do combustível usado para alimentar as fogueiras era constituída de excremento seco dos camelos, e que o aroma obtido dependia das ervas ingeridas pelos animais.

A realidade nos dias de hoje é bem menos folclórica e mais prática, com um grande esforço para aumentar a disponibilidade desse tabaco cuja presença caracteriza de forma inequívoca as chamadas misturas inglesas.

O Latakia consumido hoje em dia é proveniente de dois locais mais ou menos distantes e que dão origem a tabacos razoavelmente distintos, mas ambos conhecidos como Latakia. Esses locais são a região de Latakia na Síria e a Ilha de Chipre, embora uma pequena proporção esteja sendo cultivada na Grécia.

Fumado puro o Latakia é um tabaco para não ser esquecido, com um aroma intenso, desprezado por muitos, mas relativamente suave ao fumar, sem gosto muito acentuado que permanece na língua ao final. Aos menos acostumados ou mais sensíveis à nicotina, pode mostrar o mundo de cabeça para baixo.

O uso do Latakia na Europa começou a se difundir em 1874 quando a Sobranie of London passou a produzir uma mistura condimentada com Latakia para os juízes do tribunal de Saint James, no que foi seguida pela Orlik. No início do século XX o Latakia era muito usado nos Estados Unidos por muitos fabricantes de cigarros, para "apimentar" as misturas de tabacos turcos muito em moda na época.

O uso descuidado do Latakia em misturas pode fazer desaparecerem tabacos mais delicados e propiciar aos fumantes a mesma experiência inesquecível, para o bem ou para o mal do mundo ao contrário.

O Latakia é um tabaco oriental no sentido mais estrito do termo, não sendo de maneira alguma um tabaco turco. Por sua importância, entretanto, não é agrupado junto com os tabacos orientais. Devido ao seu processo de produção, o Latakia é um tabaco naturalmente aromático sem adição de produtos químicos.

Possui excelentes qualidades de combustibilidade e é sempre um tabaco de "tempero", usado para realçar o sabor e o aroma de uma mistura.

Em quantidades de até 5% na mistura, já é possível perceber e desfrutar da presença desse tabaco, ao passo que ao redor de 10% começam realmente a se fazer notar com mais força.

O Latakia vai mostrando seu caráter forte até cerca de 45%, quando então passa a ser dominante, obscurecendo o sabor de qualquer outro tabaco presente. Algumas poucas misturas tem mais de 45% de Latakia e são apreciadas por alguns fumantes mais pelo Latakia em si, que pela delicadeza da mistura.

Matéria continua na próxima quarta-feira, dia 12/12/2012.

 

Tipos de tabaco - Parte IV


Por Alfredo Maia - 14/11/2012

Oriental

A grande confusão reinante quando se fala dos tabacos orientais, é devida ao fato de que, com exceção do Latakia, costuma-se chamá-los de tabacos turcos, não obstante a grande variedade de sua procedência. Pode-se afirmar que todo tabaco turco é oriental, mas nem todo tabaco oriental é turco.

Fica fácil confirmar essa afirmativa quando se relaciona os possíveis locais de procedência dos tabacos orientais:
-Turquia
-Grécia
-Bulgária
-Rússia
-Croácia, Sérvia, Montenegro (ex-Iugoslávia)

Pequenas quantidades de tabacos de variedades orientais já foram plantadas na Argentina, África do Sul, Rodésia e Paquistão, mas a maior parte da produção vem dos países mencionados anteriormente.

 


 
Os tabacos orientais contribuem com um aroma único e um sabor levemente adocicado às misturas nas quais são usados; são tabacos naturalmente aromáticos não recebendo nenhuma adição de produtos aromatizantes.

Estes tabacos realmente aromáticos diferem dos outros no tamanho das plantas, no tamanho das folhas (são muito menores), na textura das folhas, na combustibilidade e teor de açúcares (que só é menor que o do altamente adocicado Virgínia) e no seu teor de nicotina que também é baixo, razão pela qual propiciam uma fumada mais suave apesar do seu sabor mais picante.

Os tabacos orientais possuem uma folha muito pequena, variando de 4 a 15 cm com uma textura delicada e uma cor que vai do amarelo dourado até o marrom, dependendo de onde é cultivado. A maneira mais fácil de se classificar os tabacos aromáticos é pela região onde são plantados, embora devido as migrações, países como a Grécia e a Turquia tenham regiões com o mesmo nome.

Turquia
Este país tem diversas regiões de produçõo de tabaco, das quais podemos citar:
- Esmirna ou Izmir - ao sul, às margens do Mar Egeu
- Anatólia - mais ao norte, próxima à fronteira da Grécia
- Samsum-Baffra - no Mar Negro
- Trabazon (ou Trebizonda)- mais a nordeste, na fronteira com a Geórgia

Cada uma destas regiões produz diversos graus do mesmo tabaco, o que aumenta a quantidade dos tipos disponíveis. O trabalho nessas regiões é intensamente manual, com as folhas sendo colhidas uma a uma, com o valor mais alto sendo atribuído às folhas mais altas da planta, que são as últimas a amadurecerem.

Grécia
Como a Turquia, a Grécia possui três tipos de tabacos com quase uma dúzia de sub-tipos, com denominações regionais, em alguns casos idênticas ao produto turco.

Por incrível que pareça, alguns desses tipos bem distintos uns dos outros são cultivados em regiões situadas a menos de 100 km de distância uma da outra.

Os tabacos mais comercializados no exterior são dos tipos:
- Basma
- Xanti
- Djebel
- Katerini
- Bashi Bagli
- Macedônios

Matéria continua na próxima quarta-feira, dia 28/11/2012.

 

Tipos de tabaco - Parte III


Por Alfredo Maia - 06/11/2012

Nos artigos anteriores, falamos dos dois tabacos que formam a base de todas as misturas de tabaco existentes: os tabacos Virgínia e Burley. Juntos ou separados eles compõe pelo menos 70 a 80% de qualquer mistura.

Hoje e nas próximas publicações, vamos falar um pouco dos tabacos que complementam esses dois e por isso são chamados muitas vezes de "tempero" das misturas. Via de regra são tabacos de sabor e aromas marcantes e um pouco difíceis de serem fumados puros, o que não quer dizer que não se encontre alguns fumantes mais corajosos que tentam essa proeza.

Perique

Um dos tabacos usados como tempero ou seja para dar um sabor extra às misturas, com menor uso que o Latakia, mas nem por isso é menos apreciado. Escuro como o tabaco sírio, e produzido somente em uma pequena área da Louisiana, nos EUA, chamada de Saint James Parish, tem paladar de algo amargo e forte, ficando entre o figo e a ameixa.

Perique deriva do diminutivo espanhol de Pierre Chenet, francês que aperfeiçou o manejo dos indígenas locais, que consiste em fermentar o tabaco obtido no líquido de sua prensagem.

 


 
É um tabaco de alto prećo, pois exige manejo apurado e um longo tempo para ser bem preparado além de somente ser possível sua produção com o tabaco que cresce nessa região. É usado em misturas em no máximo 10% do total, diminuindo a "pega" na língua e apimentando a mistura com um leve aroma de vinagre segundo alguns fumantes, mas para a maioria, entretanto, esse tabaco de cor escura e aspecto oleoso tem sabor de figo levemente apimentado.

O Perique é inebriante, quando fumado puro, é muito encorpado e tem forte aroma. As imitações são sempre reconhecíveis pelo travo de vinho usado.

Sendo um tabaco que foi seco ao ar, seu teor de açúcar deve ser muito baixo, embora não haja dados comprobatórios, ao passo que relatórios do Depto. de Agricultura dos Estados Unidos indicam um teor de nicotina de 3,5%, portanto bastante forte.

Seu uso é indispensável nas melhores misturas inglesas mas suas particularidades de produção o tornam muito vulnerável à volatilidade do mercado, mostrando um futuro sempre incerto para o Perique.

Matéria continua na próxima quarta-feira, dia 14/11/2012.

 

Tipos de tabaco - Parte II


Por Alfredo Maia - 23/10/2012

Burley

Tabaco de textura rústica, amarelado ou tijolo, com baixo conteúdo em açúcares. Cresce em enormes plantações no Kentucky, nos EUA. Tem sabor forte, intenso e algo frio.

O processo de cura ao ar, que dura de 4 a 6 semanas, resulta em um produto praticamente sem açúcar devido à perda por oxidação. Esta ausência de açúcar faz com que o tabaco tenha uma excelente capacidade de absorção de produtos aromatizantes, o que o torna o parceiro ideal para os "não absorventes" e açucarados Virgínias.

 


 
Outras duas características do Burley fazem com que seja amplamente utilizado em misturas: a primeira é a boa combustibilidade do mesmo, evidenciada pelo alto teor de cinzas (quase o dobro dos Virgínias curados em estufa) e a outra característica é o sabor quase neutro mas encorpado que evita interferência com outros tabacos com os quais sejam misturados.

Por outro lado o seu teor de nicotina é muito maior que o dos tabacos Virgínia, Maryland ou Turcos, o que resultaria em um tabaco muito forte, não fosse pelas misturas.

Num próximo artigo abordaremos outros tipos de tabaco que podem ser considerados como complemento dos dois mencionados acima no preparo de misturas para cachimbo.

 

Tipos de tabaco - Parte I


Por Alfredo Maia - 16/10/2012

Devemos ter bem claro que todos os tipos de tabaco mencionados abaixo pertencem única e tão somente às espécies do gênero Nicotiana: a Nicotiana tabacum e a Nicotiana rustica sendo as mais comuns. A Nicotiana pérsica também é usada, mas em muito menor escala, para tabacos especiais.

Cada um dos tipos possui características e qualidades diferentes, e a arte de criar um tabaco para cachimbo de alta qualidade consiste em combiná-los de forma adequada, explorando ao máximo as qualidades de cada um deles.

Todas as diferenças existentes entre os tipos de tabaco ficam por conta da região onde são plantados, do solo, do clima, da posição da folha no pé, da cura e fermentação e evidentemente da adição de produtos umectantes e aromatizantes. Por último, mas não menos importante, é que a mistura de dois ou mais tipos de tabacos, dá origem a uma infinidade de produtos com características próprias.

Para facilidade de compreensão e por tratarmos também de tabacos de outras regiões, vamos usar a nomenclatura mais comercial baseada no tipo de tabaco e não na nomenclatura dos produtores.

Sob este aspecto os tipos usados para a produção de tabaco para cachimbo são:

Virgínia

 


 
Este tipo de tabaco é muito cultivado, principalmente no Brasil, Japão, Tanzânia, Malawi, Canadá, Rodesia, Filipinas, Índia e China, além dos Estados Unidos, e sua produção anual atinge a casa das 2.300.000 toneladas.

Os tabacos Virgínia podem ser chamados de diferentes maneiras, todas elas relacionadas com sua cor, sendo que a denominação mais comum é a de "bright tobacco" (tabaco claro), originada da sua cor mais usual de um amarelo claro, embora exista também um Virgínia escuro curado ao fogo usado na fabricação de rapé. Amarelo, dourado e vermelho são outras denominações do tabaco Virgínia em função de sua cor.

Além do alto teor de açucares que é característico do tabaco Virgínia curado em estufa, o baixo teor de nicotina é outro fator que confere a esse tabaco a sua suavidade ao ser fumado.

Uma característica do tabaco Virgínia é que devido ao seu teor de açúcar, o mesmo não aceita aromatizantes tão facilmente quanto outros tabacos, como por exemplo o Burley. Esta é uma das razões pela qual a imensa maioria das misturas aromatizadas é formulada com outros tabacos (o Burley principalmente).

Outra razão para esta mistura é que o Virgínia puro ou usado em excesso tende a dar uma "fumada" quente, o que demanda muita técnica e calma para ser evitado; é mais fácil ajustar a mistura do que alterar a maneira de fumar de cada um.

Uma outra razão para esta mistura é que a combustão de um Virgínia curado em estufa não é tão boa quanto a de outros tabacos. A mistura com outros tabacos melhora a combustibilidade do tabaco final.

Os tabacos Virgínia são tabacos simples de sabor e aroma previsíveis e exigem uma certa experiência para serem fumados a fim de que possam ser devidamente apreciados. Se forem fumados descuidadamente podem se apresentar sem sabor e bastante quentes. Quando fumados adequadamente mostram todo o seu potencial adocicado, forte e frutado.

Entre as misturas que tem tendência a "pegar" na língua, as que são ricas em tabacos Virgínia tem um lugar de destaque e por isso são apreciadas por fumantes com mais experiência que sabem como evitar ou reduzir esse inconveniente.

Matéria continua na próxima quarta-feira, dia 24/10/2012.

 

Um pouco sobre tabacos


Por Alfredo Maia - 13/09/2012

Já falamos um pouco sobre os cachimbos, mas ainda não falamos sobre o que devemos colocar no fornilho dos mesmos para fumarmos.

A história do tabaco é por si só muito interessante,se nos dermos conta que até a chegada de Cristovão Colombo a América em 1492 o resto do mundo ainda não tinha conhecimento do tabaco e do costume de se fumar o mesmo para satisfação pessoal.

Outros povos da antiguidade, como por exemplo os egípcios, já tinham o costume de usar a fumaça em seus rituais religiosos e provavelmente inalavam essa fumaça durante seus ofícios divinos, mas não tinham o costume "social" de inalar a fumaça. Também na história da cristandade o uso da fumaça tinha apenas esse caráter religioso.

A primeira menção registrada do ato de fumar está em uma pedra retirada das ruínas de uma cidade Maia e datada do ano 100 D.C. que mostra um sacerdote fumando algo que parece um charuto, como o conhecemos nos dias de hoje.

Em 1492, membros da expedição de Colombo enviados para explorar a ilha de Cuba, retornaram com a informação que haviam visto na ilha, pessoas que carregavam o que parecia ser um maço de folhas de uma certa erva, do qual colocavam uma ponta na boca e uma brasa na outra ponta, aspirando a fumaça.

 


 
Embora exista uma certa dúvida sobre a origem do nome da planta que foi batizada pelos europeus como "tabaco", o fato é que a partir daí o seu uso se alastrou para todo o mundo levado pelos europeus que de uma forma ou outra tinham contato com a mesma.

O nome tabaco parece ter sido originado por um engano de interpretação, quando Oviedo, em seu livro "A História das Índias Ocidentais" editado em Salamanca em 1535, descreveu um instrumento que os habitantes da ilha de Hispaniola, hoje São Domingos, usavam para inalar a fumaça.

Esse instrumento feito a partir de um tubo de ramos de árvore e na forma de um Y, tinha a parte de duas ponta inseridas nas narinas do "fumante" e a outra ponta colocada na fumaça para ser aspirada. Os locais davam a esse instrumento o nome de "Tobago" e os europeus assumiram que esse era o nome do que eles fumavam. Controvérsias a parte, essa erva era fumada por todas as tribos do continente, desde o sul na Patagônia até o norte próximo ao Alasca.

Por volta de 1558 o tabaco foi levado para a Europa e daí espalhou-se pelo mundo, graças ao trabalho de diversas pessoas, entre eles o francês Jean Nicot, que enviou amostras de folhas e sementes para a rainha Catarina de Médici. Pelos serviços prestados a causa do tabaco, o seu nome foi dado ao alcaloide extraído da planta, surgindo daí o gênero Nicotiana.

Espanhóis e ingleses, como Sir Walter Raleigh, Sir Ralph Lane (primeiro governador da colônia da Virginia, nos USA) e Sir Francis Drake (corsário a serviço da Inglaterra) foram o que mais contribuíram para que o tabaco se tornasse conhecido no mundo todo.

Falando sobre a botânica da planta, pode-se dizer que existem cerca de sessenta espécies da mesma (Nicotiana), sendo que quase todas são nativas das Américas, mas destas todas apenas a Nicotiana tabacum e a Nicotiana rústica tem importância econômica e são responsáveis por quase todo o tabaco produzido no mundo.

 

Como limpar um cachimbo?


Por Alfredo Maia - 07/08/2012

Essa pergunta é feita com uma certa frequência, principalmente pelos fumantes menos experientes. Na verdade, existem tantas respostas para a mesma quantos são os gostos dos fumantes; cada um parece ter o SEU modo de limpar o cachimbo após fumar.

A única coisa em que todos parecem concordar é que NÃO SE DEVE DESMONTAR O CACHIMBO AINDA QUENTE PARA LIMPAR. Se tentarmos tirar a piteira enquanto o cachimbo ainda está quente pode ocasionar a quebra do cabo do cachimbo (onde se insere a piteira) ou a quebra da espiga da piteira (parte que é inserida no cabo).

Posto isso vamos falar um pouco da limpeza normal que deve ser feita depois de cada vez que se fuma um cachimbo. Não é uma coisa obrigatória, mas se for feita como descrito aumentará em muito a vida útil de seu cachimbo e permitirá que você sempre tenha fumadas agradéveis e mais saborosas.

Em primeiro lugar, ao terminar de fumar tire todo o tabaco do fornilho. Para fazer isto você deve raspar o fornilho com qualquer parte da ferramenta mostrada abaixo ou bater o mesmo virado para baixo sobre uma superfície não mais dura que a palma da sua mão.

Em seguida pegue um guardanapo de papel, faça uma espécie de rolha com o mesmo e passe no interior do fornilho. Isto serve para secar o fornilho e tirar algum resto de tabaco aderido às paredes. Não deve ser feito com muita força para não tirar a crosta de carbono que vai se formando nas paredes. (Mais sobre isto num próximo artigo).

 


 
Depois que o cachimbo tiver esfriado, separe a piteira e o corpo, pegue um dos escovilhões (ver foto) e passe no duto do cabo até aparecer dentro do fornilho. Você pode se assustar com a sujeira que sai.

Em seguida, pegue a piteira, molhe o escovilhão em álcool ou uma bebida destilada e introduza-o no duto de ar da piteira. O lado pelo qual você vai introduzir o escovilhão fica a sua escolha (pelo lado da boquilha ou pelo lado da espiga), mas posso garantir que pelo lado da boquilha é muito mais fácil. Quando estiver satisfeito, monte o cachimbo e deixe-o secar por pelo menos um dia.

Com estes pequenos cuidados seu cachimbo deve durar muito mais tempo em boas condições. Limpezas, ditas mais pesadas, podem ser feitas eventualmente, mas são muito mais complicadas e devem ser executadas por profissionais ou por fumantes muito experientes.

 

Materiais para cachimbos


Por Alfredo Maia - 17/06/2012

Na matéria abaixo, "Cachimbo: A origem", mencionei que havía cachimbos feitos de madeira, pedra, dentes de animais, etc.

Hoje em dia, entretanto, a diversidade não é tão grande (embora ainda haja comunidades que usam esses materiais "exóticos") e os cachimbos passaram a ser feitos preponderantemente por dois materiais: madeira e meerschaum (ou espuma do mar na tradução).

A madeira é de longe o material mais usado, tanto pela disponibilidade e diversidade, como pela facilidade de ser trabalhada. Não é qualquer madeira, entretanto, que pode ser usada. Além da beleza é preciso que apresente uma certa dureza, densidade e sobretudo resistência ao calor.

Entre tantas que apresentam essas qualidades uma se destaca: o "briar" ou "bruyère". Esse são os nomes em inglês e francês, respectivamente, de um tipo de madeira extraído de um arbusto do zona do Mar Mediterrâneo chamado cientificamente de "Erica arbórea".

Como vocês devem ter notado não escrevi o nome em português porque não o conheço e não acredito que haja.

Essa madeira é extraída de uma parte nodosa do arbusto, que se situa entre o caule e as raízes e demora cerca de trinta anos para atingir um tamanho economicamente viável para ser extraído. Antes de ser usada na produção de cachimbos a mesma é preparada para a extração da seiva que daria um gosto amargo ao tabaco.

É a madeira mais usada no mundo para a fabricação de cachimbos quer seja para a fabricação de cachimbos em série, quer seja para a fabricação daquele cachimbo único de um famoso artesão e cotado em muitas centenas de dólares.

 


 
Esta é uma foto de um cachimbo de "briar" onde se pode ver as marcas do que se chama de "grain", que são as manchas escuras no corpo do cachimbo. Alguns desses cotados em centenas de dólares tem esse "grain" na forma de listas verticais tão perfeitas que parecem ter sido feitas a régua.

O outro material muito usado hoje em dia é o "meerschaum", que é um mineral extraído de minas rudimentares na Turquia na região da cidade de Eskisehir. É um material poroso, resistente ao calor, muito branco e que pode ser esculpido de acordo com a habilidade do artesão dando origem a peças que mais parecem obras de arte.

Uma das características do "meerschaum" é que com o tempo, a medida que se vai fumando o cachimbo vai escurecendo adquirindo uma cor amarronzada.

 


 
Quem não quiser errar ao adquirir um cachimbo, deve adquirir um cachimbo de um desses dois materiais.

 

Cachimbo: a origem


Por Alfredo Maia - 14/03/2012

Embora o título acima possa parecer mais adequado a um filme de ficção científica, ele está ligado a um par de perguntas que ouço com certa frequência:
- Quem inventou o cachimbo?
- Quem foram os primeiros a fumar cachimbo?

Infelizmente a resposta para essas perguntas é a mesma: eu não sei, ninguém sabe e não há registros sobre isso.

Nem nos antiquíssimos registros dos hieróglifos egípcios, há referência a qualquer coisa que se assemelhe a um cachimbo, embora tenham sido encontradas muitas referências ao uso da fumaça com fins religiosos. Civilizações antigas como a grega também não tem menção ao uso do cachimbo.

Outros achados arqueológicos indicam, entretanto, que cachimbos feitos de argila, já eram conhecidos na ilha de Creta, há cerca de 3.000 anos A.C. Levando em conta que o uso do tabaco nessa época não era conhecido em outras regiões além da América, só podemos imaginar o que era fumado nos mesmos.

Na América do Norte foram encontrados, nos locais de sepultamento de algumas tribos, cachimbos de pedra e madeira datados de mais de 2.000 anos A.C.

No Brasil, o Museu Goeldi em Belém do Pará, possui uma coleção de cachimbos colhidos nos sambaquis da região norte e datados de 950 anos A.C. Feitos de argila, esses cachimbos tem formatos antropomórficos, representando seres humanos, aves, peixes e outros animais. Alguns com formato fálico sugerem que eram usados em rituais religiosos de fertilidade.

 


 

Outro exemplo desses cachimbos com formatos de animais é o da figura seguinte:

 


 

Outra razão que torna difícil datar o início do uso do cachimbo é que vários povos que faziam uso do mesmo se aproveitavam de materiais disponíveis localmente para a fabricação dos mesmos, como por exemplo, bambu, ossos de animais, dentes de morsa (entre os esquimós) e outros.

Por isso tudo pode-se afirmar apenas que o cachimbo foi desenvolvido, simultaneamente, ao longo de muitos anos em diversos lugares do mundo.

 

Como Começar?


Por Alfredo Maia - 03/02/2012

Já que estamos começando esta série de artigos sobre cachimbos, nada mais justo que falemos um pouco sobre o começo do hábito de fumar cachimbo.

Qual o melhor tabaco para começar? Que cachimbo escolher para começar?

Quanto aos tabacos sugerimos que seja escolhido um tabaco do tipo aromatizado ou no máximo um Virginia puro. São tabacos mais leves, de sabor mais delicado que devem agradar mais ao iniciante. Começar a fumar cachimbo usando um tabaco tipo Mistura Inglesa ou Mistura Balcânica é arriscado por se tratar de tabacos fortes de sabor e aroma acentuados.

 


 
Este conselho, evidentemente, não vale para quem fuma ou já fumou charutos e cigarros. Quanto aos tabacos tipo "flake", embora sejam quase sempre produzidos à base de tabacos Virginia, seu formato laminado exige uma certa prática para se encher o cachimbo e por isso sugerimos que só sejam experimentados mais tarde.

Quanto ao cachimbo mais adequado para se iniciar nesse hábito, não há uma sugestão clara e única, por se tratar de um ponto que vai depender muito do gosto pessoal. Alguns fuamntes mais experientes advogam que se deve iniciar com um cachimbo reto (por ser mais fácil de limpar), mas não somos muito a favor dessa premissa, pois um cachimbo curvo bem construído também é fácil de limpar.

Quanto à facilidade para se fumar, ambos se equivalem. Vejam que estamos falando de cachimbos curvos ou retos do tipo clássico, como os mostrados nas figuras anexas. Se levarmos em conta cachimbos de formatos mais exóticos como os calabash ou churchwarden, somos a favor de que se evitem esses formatos exóticos no ínicio.

Se eu pudesse dar um conselho sobre que cachimbo comprar para iniciar, eu diria que se deve comprar o melhor cachimbo que encontrar, sem que seu prećo coloque sua conta bancaria no vermelho. É claro que um cachimbo de marca vai custar mais caro que um cachimbo comum, mas nem por isso você vai sempre fumar melhor no cachimbo mais caro.

Deve-se evitar a todo custo os cachimbos mais baratos e ordinários, feitos de madeira sem nenhum tratamento, pois esses poderão transferir o gosto da madeira para o tabaco e estragar a sua "primeira vez".

 

Carta de Apresentação


Por Alfredo Maia - 10/01/2012

Prezados amigos.

Hoje iniciamos a publicação de artigos sobre cachimbos e tabacos. Pretendemos contar coisas que achamos interessantes sobre o assunto, novidades, um pouco de história e algumas dicas sobre essa "arte".

Sim, porque fumar cachimbo pode ser considerado uma arte, se não no ato de fumar (tem que ser um pouco artista para manter um cachimbo aceso), mas certamente na fabricação dos cachimbos e na preparação do tabaco e das misturas que podem ser feitas.

 


 
Comecei a fumar cachimbos há pouco mais de 40 anos por mero acaso. Ganhei um cachimbo de um tio e resolvi experimentar, mesmo sem nunca ter fumado cigarros ou charutos, sendo que estes comecei a fumar alguns anos depois dos cachimbos. Nesse tempo li muito sobre tabacos e cachimbos pois achei o assunto muito interessante, além de saboroso, e descobri que a cada dia se aprende algo novo sobre tabacos e cachimbos.

Fumar charutos e cachimbos eu considero variantes de um mesmo prazer, sendo que, a meu ver, a grande diferença se resume na empatia que se adquire com o cachimbo, pois este estará lá sempre ao seu dispor para ser fumado novamente, ao passo que o charuto desaparece ao fim da jornada. Mas em qualquer das duas formas, a quantidade de sabores e aromas disponíveis é enorme.

Existem muitas lendas e fantasias sobre cachimbos, sendo a mais comum, acho eu, a de que fumar cachimbo (ou fumar em cachimbo como preferem alguns) deixa a boca torta. Cada vez que olho no espelho vejo o quanto isso não é verdade. Algumas dessas outras lendas vamos tratar aqui no decorrer dos dias.

Alfredo Maia

Voltar

Tabacaria Caruso